Uma equipe de pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da UFRGS descobriu um tipo especial de molécula de RNA que tem potencial para servir como um indicador biológico no diagnóstico precoce do TEA.
Segundo o HCPA, a descoberta foi feita inicialmente em testes com animais. O estudo identificou níveis mais elevados do RNA circular ciRS-7 em modelos com comportamentos semelhantes aos observados no autismo.
“Essa estabilidade torna o RNA circular especialmente interessante como possível biomarcador detectável em fluidos como o sangue ou saliva”, explica Carmem Gottfried, pesquisadora do Clínicas e coordenadora do estudo.
O ciRS-7 é uma molécula estável, resistente à degradação e com potencial para ser detectada em fluidos como sangue e saliva, o que a torna promissora como biomarcador. Diferentemente do RNA convencional, ele não produz proteínas, mas atua regulando genes e outros RNAs dentro das células.
A pesquisadora Carmen Gottfried enfatizou que, apesar da relevância da descoberta, ainda há um caminho de alguns anos até que um exame baseado nesses achados seja disponibilizado clinicamente.
A pesquisa foi conduzida no Laboratório de Psiquiatria Molecular do HCPA e integra trabalhos do Programa de Pós-graduação em Neurociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Em março, o estudo avança para uma nova etapa, com análises em amostras de sangue humano para verificar se o padrão observado nos animais se repete em pessoas com diagnóstico de TEA. Atualmente, o diagnóstico do autismo é feito principalmente por avaliação clínica e comportamental.
A identificação de biomarcadores pode contribuir para diagnósticos precoces, embora os pesquisadores ressaltem que ainda serão necessários anos de validação antes que um exame esteja disponível na prática clínica.








